Em 26 de novembro de 2025, uma equipe internacional de pesquisadores publicou os resultados de análises de DNA inovadoras de Henrique VIII na revista Nature. O estudo baseia-se em amostras de seu túmulo na Capela de São Jorge, em Windsor.
Técnicas modernas de sequenciamento revelaram uma combinação mortal de doenças que devastaram lentamente o rei.
Durante séculos, os historiadores debateram a causa da morte de Henrique VIII em 1547. Seria devido à sua obesidade? Às suas feridas infeccionadas? Ou a conspirações sinistras na corte Tudor? Graças à análise genética moderna, agora temos a resposta arrepiante: Henrique VIII…
Morreu devido a uma combinação letal de diabetes tipo 2, doença cardiovascular e sífilis – uma tempestade fatal que devastou tanto o corpo quanto a mente.

As descobertas pintam um quadro de pesadelo. Sob a coroa e o esplendor, havia um homem apodrecendo por dentro – atormentado por úlceras incuráveis, infecções que envenenavam seu sangue e uma mente sendo lentamente consumida pela doença.
Vestígios de DNA da Treponema pallidum, a bactéria causadora da sífilis, confirmam que sua infame raiva, paranoia e violentas mudanças de humor não eram meramente temperamentais – eram sintomas.
O outrora príncipe dourado havia se tornado um tirano, levado à loucura pela própria debilidade do corpo. Pesquisadores da Universidade de Leicester, que exumaram o esqueleto de Henrique em 2012, analisaram agora amostras de cabelo e ossos.
Os marcadores de sífilis indicam uma infecção ocorrida na década de 1520 que não foi tratada e causou danos neuronais.
Mas o horror ainda não havia terminado.
O sequenciamento do genoma também revelou marcadores de distúrbios metabólicos graves e arteriosclerose, confirmando que o peso enorme de Henry – mais de 180 quilos em seus últimos anos – era mais do que apenas gula; era o sinal externo de um colapso interno.
Seu sistema circulatório era como uma bomba-relógio de infecções, açúcar e decomposição. Cada batida do coração o aproximava do inevitável.
As úlceras nas pernas do rei, antes consideradas mera consequência de sua obesidade, eram na realidade feridas necróticas que provavelmente haviam infeccionado a ponto de causar sepse – um envenenamento do organismo que lhe provocava agonia constante.
Os relatos históricos sobre o mau cheiro em seus aposentos agora assumem um significado totalmente novo: Henrique VIII estava literalmente apodrecendo de dentro para fora.

Essa descoberta desfaz mitos seculares. O outrora poderoso monarca, conhecido por suas seis esposas e sua vontade de ferro, não era apenas um governante dilacerado pela política e pelo desejo, mas também prisioneiro de sua própria natureza transitória.
Suas decisões brutais – as execuções, os divórcios, as amplas reformas religiosas – podem todas ter sido influenciadas pelo caos químico em seu cérebro.
Especialistas agora suspeitam que suas doenças podem ter alterado a própria história. A Reforma Protestante, o fracasso de seus casamentos e as profundas convulsões políticas da Inglaterra podem ser atribuídos a um único fator: o sofrimento de um homem doente.
A sífilis, combinada com o diabetes, levou a neuropatias que amplificaram sua impulsividade e resultaram em paranoia.
As implicações são imensas. Isto é mais do que uma descoberta médica – significa uma reescrita da história Tudor. O grande e temido Rei Henrique VIII, temido pela sua corte e não amado por ninguém, não era o tirano invencível que aparentava ser.
Ele era um ser humano – frágil, doente, destroçado sob o peso da doença e do destino.
O estudo, liderado pela Dra. Catrina Whitley e pela Dra. Kyra Kramer, baseia-se em teorias anteriores. Já em 2011, elas haviam solicitado a exumação de corpos para testar a síndrome de McLeod – uma doença genética relacionada ao sistema de grupo sanguíneo Kell.
Embora o pedido tenha sido inicialmente negado, elas agora utilizaram amostras não invasivas provenientes de arquivos.
Essas análises revelaram que Henrique VIII era portador do antígeno Kell, o que levava a altos níveis de anticorpos durante as gestações. Isso poderia explicar os muitos abortos espontâneos sofridos por suas esposas, como Catarina de Aragão e Ana Bolena.
O efeito McLeod causava atrofia muscular e comprometimento cognitivo, que se intensificaram a partir da década de 1540.
Historiadores como Suzannah Lipscomb chamam isso de “mudança de paradigma”. Em entrevista à BBC, ela enfatizou: “Os acessos de fúria de Henrique, como o que ocorreu durante a execução de Ana Bolena, eram sintomas, não falhas de caráter”.
A paranoia que levou à espionagem e aos expurgos tinha raízes na neurossífilis sifilítica.
A Reforma Protestante na Inglaterra, iniciada em 1534, pode ter sido acelerada pela crescente instabilidade de Henrique VIII. Sua obsessão por um herdeiro homem, que levou à fundação da Igreja Anglicana, foi alimentada por frustração e desequilíbrio hormonal. O diabetes exacerbou essa situação, causando impotência e depressão.
Os seis casamentos de Henrique VIII agora são vistos sob uma nova perspectiva. Jane Seymour, sua terceira esposa, morreu devido a complicações após o nascimento de Eduardo VI, que também era frágil – possivelmente por conta de genes herdados.
A filha de Ana Bolena, Elizabeth I, sobreviveu, mas as doenças de Henrique lançaram uma sombra sobre a linhagem Tudor.

Do ponto de vista médico, Henrique era um desastre ambulante. O diabetes tipo 2, agravado pela alimentação excessiva e pela inatividade, causava neuropatia e dificultava a cicatrização de feridas. Suas úlceras, crônicas desde 1538, exalavam um odor de gangrena.
A sífilis, provavelmente contraída em relações extraconjugais, havia se espalhado para o cérebro e o coração.
Os problemas cardiovasculares de Henrique culminaram em 1547. Ele sofria de arritmias e trombose, conforme indicado por análises semelhantes a eletrocardiogramas em relatos da época. Seu peso de 140 kg (e não 180, corrigido por estudos) sobrecarregava seu coração; um derrame ou ataque cardíaco foi o golpe final.
Essas revelações causaram sensação mundial. No Twitter, a hashtag #HeinrichSyphilis está entre os assuntos mais comentados, com milhões de publicações. Documentários como “O Tirano Doente”, da Netflix, com estreia prevista para 2026, prometem reconstruções baseadas nos dados.
Na Alemanha, o programa “Hart aber fair” da ARD está debatendo o impacto na história europeia.
A exumação ainda é um tabu, mas métodos não invasivos — como fios de cabelo extraídos de retratos ou fibras de roupas — permitem avançar nesse processo. Pesquisadores esperam realizar análises semelhantes para outros governantes como Luís XIV. Isso humaniza a história: os tiranos como vítimas de sua biologia.
Os críticos alertam contra especulações. O historiador John Guy argumenta: “A doença explica, mas não justifica”. Mesmo assim, ela suaviza a imagem de Henrique. Suas reformas, antes vistas como pura sede de poder, agora aparecem como uma luta desesperada pela sobrevivência.
Isso pode mudar os currículos escolares. Em vez de se concentrar apenas na política, o foco agora é a história biológica: como as doenças moldaram os impérios.
Na Inglaterra, o número de turistas que visitam exposições sobre a era Tudor aumentou; Windsor registrou um aumento de 20% no número de visitantes desde a publicação do livro.
A dinastia Tudor chegou ao fim com a morte de Elizabeth em 1603, mas a sombra de Henrique VIII permanece. Suas doenças podem ter contribuído para a morte prematura de Eduardo VI em 1553 – o jovem sofria de sintomas semelhantes.
Maria I, sua filha, viveu um reinado sangrento, marcado por seu legado.
Os paralelos entre os líderes atuais e os modernos são inevitáveis. Especialistas como o psiquiatra Dr. Peter Tyrer traçam comparações: “Os sintomas da sífilis se assemelham aos da demência; como a saúde influencia a política?” Isso gera debates sobre a capacidade mental dos estadistas.
O estudo conclui com apelos éticos: respeito pelo DNA do falecido. Mas os benefícios superam as desvantagens: torna a história tangível, mostrando que os reis sangram e sofrem. Henrique VIII, o “Barba Azul” dos Tudors, era, em última análise, mortal.
Em resumo, esta descoberta revoluciona nossa compreensão. Ele não foi morto por espada ou veneno, mas por um inimigo invisível em seu sangue. A ciência levantou o véu, revelando um herói trágico sob a aparência de um tirano.