“ESTAVA CONDENADA A MORRER AFUNDADA NAS ÁGUAS GELADAS DA CHINA: o que a beluga Mila fez nos últimos segundos deixou o mundo inteiro em lágrimas e mudou para sempre a forma como vemos os animais”

Em 19 de dezembro de 2009, durante a competição de mergulho livre sem cilindro no Harbin Polar Land, na província chinesa de Heilongjiang, a mergulhadora Yang Yun, de 26 anos, enfrentava um dos desafios mais extremos do esporte.

A temperatura da água estava em 4 graus negativos, e o tanque de exibição das baleias-brancas era aberto ao público. Sete mergulhadores disputavam quem desceria mais fundo sem equipamento, apenas com uma respiração. Yang Yun já havia alcançado 6,5 metros quando o pesadelo começou.

De repente, um câimbra violento tomou suas duas pernas. A dor foi tão intensa que ela perdeu completamente o controle dos músculos. Em questão de segundos, o corpo ficou rígido como pedra. Ela tentou bater os pés, mas nada acontecia.

O ar nos pulmões começava a acabar e a superfície parecia cada vez mais distante. Yang Yun, em pânico silencioso, percebeu que não conseguiria subir sozinha. Olhou para cima e viu apenas a luz azulada tremendo na água gelada.

Enquanto lutava para não abrir a boca e inalar água, uma sombra enorme surgiu ao seu lado. Era Mila, uma beluga fêmea de três toneladas e quase quatro metros de comprimento, residente do tanque há sete anos. O animal, conhecido por ser brincalhão com os treinadores, aproximou-se lentamente.

Yang Yun pensou que fosse curiosidade, mas o que aconteceu em seguida deixou todos os presentes em choque absoluto.

Mila posicionou o focinho delicadamente sob as costas da mergulhadora, como se entendesse exatamente o que estava acontecendo. Com movimentos suaves e precisos, começou a empurrá-la para cima. Yang Yun sentiu o corpo ser carregado pela força gentil da baleia. Em menos de dez segundos, a cabeça rompeu a superfície.

O público, que acompanhava tudo em silêncio, explodiu em aplausos e gritos de emoção. A mergulhadora tossia, chorava e tremia, mas estava viva.

Os organizadores do evento, ainda sem acreditar no que tinham visto, correram para ajudar Yang Yun a sair da água.

As câmeras de segurança registraram cada detalhe: Mila não apenas percebeu o perigo antes de qualquer humano, como executou o resgate com uma precisão que parecia impossível para um animal em cativeiro. Treinadores afirmaram que nunca haviam ensinado aquele comportamento. Foi puro instinto.

A história explodiu na mídia chinesa e, em poucas horas, rodou o mundo. O vídeo original, publicado pelo canal estatal CCTV, já acumula mais de 300 milhões de visualizações até hoje. Mila tornou-se instantaneamente um símbolo mundial de empatia animal.

Em entrevistas posteriores, Yang Yun não conseguia conter as lágrimas ao lembrar do momento. “Eu senti que ela sabia que eu estava morrendo. Ela me escolheu para salvar”, declarou.

Especialistas em comportamento de cetáceos explicam que as belugas possuem um cérebro altamente desenvolvido, com áreas de empatia semelhantes às humanas. Elas são conhecidas por ajudar filhotes feridos de outras espécies e até golfinhos encalhados na natureza.

O que chocou foi ver esse instinto funcionar em cativeiro, onde muitos acreditam que os animais perdem parte de sua essência.

Mila, nascida em 2001 no Mar de Bering e levada para a China com apenas dois anos, já tinha histórico de interagir com humanos. Treinadores contam que ela adorava brincar de “empurrar” objetos com o focinho.

Mas ninguém imaginava que, em uma situação de vida ou morte, ela usaria essa habilidade para salvar uma pessoa desconhecida. O tanque onde tudo aconteceu era compartilhado com outra beluga, mas apenas Mila reagiu.

Após o resgate, o Harbin Polar Land transformou Mila em atração principal. Placas contam a história, e visitantes do mundo inteiro vão até lá só para vê-la. Yang Yun visita o parque pelo menos uma vez por ano e leva flores.

As duas se reconhecem: quando a mergulhadora se aproxima do vidro, Mila nada até ela e emite sons agudos que os funcionários chamam de “saudação especial”.

Em 2012, o caso ganhou o prêmio de “Momento Mais Emocionante do Ano” na cerimônia anual de proteção animal da China. Documentários da BBC, Discovery Channel e National Geographic reconstituíram a cena com detalhes.

Cientistas da Universidade de British Columbia publicaram estudo afirmando que Mila demonstrou “empatia interespecífica direcionada”, algo raríssimo em animais cativos.

Infelizmente, Mila faleceu em 2021, aos 20 anos, vítima de uma infecção bacteriana. O Harbin Polar Land fez uma cerimônia emocionante com milhares de pessoas. Yang Yun esteve presente e jogou uma coroa de flores na água. “Parte de mim sempre vai pertencer a ela.

Ela me deu uma segunda vida”, disse entre lágrimas.

Hoje, o vídeo do resgate continua sendo um dos mais compartilhados quando o assunto é bondade animal. Escolas chinesas usam a história para ensinar empatia às crianças.

E em todo o mundo, sempre que alguém duvida da inteligência emocional dos animais, alguém responde com um simples link: o momento em que uma baleia branca de três toneladas decidiu que uma humana merecia viver.

Porque, às vezes, o maior super-herói não usa capa. Usa barbatanas e vive em um tanque gelado na China.

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